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Sector privado aposta em energias renováveis na indústria e agricultura

Última actualização: 2022-11-24

Os operadores da área de energias renováveis reuniram-se há dias, em Maputo, para defender maior aposta na utilização de tecnologias fornecidas pelo sector nos projectos agrícolas e industriais.

De um modo geral, estas constituem soluções competitivas, confiáveis e rentáveis numa altura em que cresce a exigência global de utilização de energias amigas do ambiente. Dado o facto de o sector ser incipiente em Moçambique, o evento serviu para sensibilizar e informar os profissionais do sector agrícola e industrial sobre a oferta existente, os benefícios e as poupanças que podem obter a partir destas tecnologias. 

Em representação da Delegação da União Europeia em Moçambique, Verlee Smet destacou durante a sessão de abertura que o país “realizou progressos satisfatórios ao longo do último ano com a adopção do Regulamento de Acesso à Energia nas zonas Fora da Rede e da nova Lei da Electricidade”. 

Falando perante perto de uma centena de empresários do sector de energias renováveis, indústria e agricultura, Smet anunciou que a Iniciativa de Financiamento da Electrificação (ou ElectriFI), financiada pela União Europeia, que investe em empresas em fase inicial e em projectos de acesso à energia, estará activa para Moçambique a partir de Janeiro, com um orçamento de 15 milhões de euros.

Por seu turno, o representante da Embaixada da Alemanha em Moçambique, Thierry Kuhn, referiu que as energias renováveis podem contribuir não só para garantir acesso, mas também a poupança e, por sua vez, incentivam a competitividade dos sectores agrícola e industrial que empregam grande parte da população moçambicana.

Em nome do sector empresarial, o Presidente da Associação Industrial de Moçambique (AIMO), Rogério Samo Gudo, realçou: “o que limita o crescimento da indústria é a competitividade e um factor essencial é o custo - as energias renováveis não só permitem sermos mais competitivos, mas também ter uma produção mais responsável e sustentável”. Entretanto, o empresário reiterou a necessidade de se trabalhar nas soluções de financiamento que garantam períodos de retorno do investimento mais curtos. 

Já o Presidente da Federação Nacional das Associações Agrárias de Moçambique (FENAGRI), Hernani Mussanhane, salientou que falar de energias renováveis é falar da mitigação dos efeitos das alterações climáticas e que a actividade agrícola é a que mais sofre. Neste sentido, referiu: “as energias renováveis podem ser determinantes para viabilização da actividade agrícola graças à sua facilidade de instalação e podem compensar o fornecimento da rede eléctrica” e voltou a frisar: “o custo será um factor decisivo, já que os agricultores trabalham com margens muito pequenas”. 

O evento foi organizado pela Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) em parceria com a sua congénere de Portugal e possibilitou que fosse dado o primeiro passo para garantir a colaboração entre agricultores, empresários, empresas prestadoras de serviços e financiadores.

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